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Vale a pena comprar um Portátil Chinês (Anbernic/Miyoo)? Análise custo-benefício

O mercado de videogames portáteis sofreu uma revolução silenciosa nos últimos dois anos. Antigamente, falar de “console chinês” era sinônimo de “Polystation” ou daqueles aparelhos de plástico barato que prometiam 9999 jogos, mas só tinham variações de Tetris. Essa realidade mudou drasticamente. Hoje, empresas como Anbernic, Miyoo e Powkiddy estão produzindo hardware que não apenas compete, mas em alguns aspectos supera a qualidade de construção de grandes marcas, tudo isso por uma fração do preço.

A febre do momento são os pequenos dispositivos verticais (estilo Game Boy) ou horizontais (estilo GBA) que rodam Linux e são capazes de emular desde o Atari até o PSP e Dreamcast. Modelos como o R36S, o Miyoo Mini Plus e o Anbernic RG35XX tornaram-se onipresentes em vídeos de TikTok e YouTube. Mas, para o consumidor brasileiro, que precisa lidar com taxas de importação e frete, a pergunta permanece: esses aparelhos são realmente bons ou são apenas brinquedos descartáveis?

Nesta análise, vamos dissecar o fenômeno dos handhelds chineses, separando o hype da realidade técnica.

A Revolução das Telas IPS

O primeiro choque de quem pega um desses aparelhos modernos é a tela. Esqueça os displays LCD lavados e com ângulos de visão horríveis dos clones antigos. A grande maioria desses novos dispositivos, mesmo os que custam na faixa de R$ 200,00 (como o R36S), vem equipada com telas IPS de alta resolução (geralmente 640×480 em 3.5 polegadas).

Isso significa que a densidade de pixels é altíssima. Jogos de Super Nintendo e Game Boy Advance aparecem com cores vibrantes, pretos profundos e uma nitidez que nem o hardware original possuía. Para quem gosta de pixel art, é como ver seus jogos favoritos sendo remasterizados em tempo real. Títulos com direção de arte forte, como os que citamos em nossa lista de Jogos que são Arte, ganham uma nova vida nessas telas pequenas.

Construção e Ergonomia: O Teste do Bolso

A qualidade de construção varia muito entre as marcas, e é aqui que o preço começa a se justificar.

  • Miyoo Mini Plus: É frequentemente citado como o “rei” da qualidade. O plástico é texturizado, os botões têm um clique satisfatório e o direcional (D-Pad) é preciso, perfeito para jogos de luta. Ele passa a sensação de ser um produto premium da Nintendo.
  • Anbernic RG35XX (e variantes): A Anbernic é conhecida por fazer “tanques de guerra”. Seus aparelhos são sólidos, um pouco mais pesados e extremamente duráveis. A ergonomia costuma ser excelente para mãos médias.
  • R36S e Clones Baratos: Aqui a porca torce o rabo. O R36S é o campeão de vendas pelo preço baixo, mas seus botões são barulhentos (o famoso “clack-clack” de plástico duro) e os botões de ombro (L1/R1) são difíceis de apertar. Ele entrega performance, mas sacrifica o conforto tátil.

Para quem busca algo para jogar RPGs longos, a ergonomia é fundamental. Jogar 30 minutos em um aparelho desconfortável é aceitável; jogar 40 horas de Final Fantasy exige botões macios.

O Sistema Operacional: Onde o Filho Chora e a Mãe não Vê

Hardware é apenas metade da história. O software é onde esses portáteis chineses brilham ou morrem. De fábrica, a maioria vem com um sistema operacional “Stock” que é, sendo generoso, funcional mas feio. Menus confusos, traduções erradas e emuladores mal configurados são o padrão.

A mágica acontece com a comunidade. Desenvolvedores independentes criam sistemas operacionais customizados (Custom Firmwares) que transformam a experiência.

  • OnionOS (para Miyoo): É a referência de ouro. Ele introduz o recurso de “Game Switcher”, que permite pausar o jogo, desligar o console e, ao ligar de novo, voltar exatamente onde estava em 3 segundos. É uma experiência de “console moderno” em um hardware retro.
  • ArkOS (para R36S e outros): Um sistema robusto, altamente customizável, mas um pouco mais complexo de configurar.
  • GarlicOS (para Anbernic): Leve, rápido e focado na simplicidade.

Comprar um desses portáteis exige um compromisso: você vai precisar trocar o sistema operacional e, muito provavelmente, o cartão SD que vem com ele (que costuma ser de péssima qualidade e corrompe em semanas). Se você não tem paciência para assistir a tutoriais no YouTube e mexer com arquivos de imagem de sistema, esses aparelhos podem ser frustrantes.

Performance: O Limite do Sonho

O marketing chinês adora exagerar. Muitos anúncios prometem “Roda PS2 e GameCube liso!”. Isso é mentira na maioria dos dispositivos abaixo de R$ 500,00.

A realidade dos chips atuais (como o RK3326 ou H700) é a seguinte:

  • Perfeito (100%): NES, SNES, Mega Drive, Game Boy (todos), PS1.
  • Muito Bom (90%): Nintendo DS (alguns jogos exigem troca de tela chata), Arcade (CPS1, CPS2, NeoGeo).
  • O Limite (50-70%): Nintendo 64, Dreamcast e PSP. Alguns jogos leves rodam bem (como Mario Kart 64 ou Soul Calibur), mas jogos pesados (God of War no PSP ou 007 Goldeneye no N64) vão engasgar, ter áudio picotado ou rodar em câmera lenta.
  • Impossível: PS2, GameCube, 3DS. Para esses, você precisa de aparelhos muito mais caros (acima de R$ 1.000,00) ou de um PC portátil como o Steam Deck.

É crucial alinhar a expectativa. Se o seu objetivo é jogar a biblioteca do PS1 para trás, esses portáteis são definitivos. Se você quer jogar God of War, vai se decepcionar.

Veredito: Vale a Pena?

A resposta curta é: Sim, mas saiba o que está comprando.

O custo-benefício é imbatível. Por cerca de R250,00aR250,00 a R250,00aR 350,00 (já considerando impostos em promoções), você leva uma máquina do tempo no bolso. A capacidade de jogar Castlevania, Metroid e Chrono Trigger em uma tela de alta qualidade, em qualquer lugar, é impagável para o fã de retro.

No entanto, eles não são produtos “plug and play” como um Nintendo Switch. Eles exigem um pouco de carinho, configuração e troca de cartão SD. Eles são dispositivos para entusiastas, feitos por entusiastas.

Se você gosta de fuçar, configurar capas de jogos e ter sua biblioteca organizada no bolso, um Miyoo Mini Plus ou um Anbernic RG35XX é o melhor presente que você pode se dar. É a nostalgia engarrafada em formato de plástico translúcido.


FAQ – Perguntas Frequentes

Qual é o melhor para iniciantes?
O Anbernic RG35XX Plus ou o Miyoo Mini Plus. Ambos têm comunidades enormes, peças de reposição fáceis de achar e sistemas operacionais muito estáveis (GarlicOS e OnionOS, respectivamente).

O R36S é bom?
O R36S é o rei do custo-benefício. Ele tem o mesmo processador de consoles mais caros, mas custa metade do preço. O acabamento é inferior e os botões são duros, mas se o orçamento é curto, ele é a melhor opção disparada.

Preciso trocar o cartão SD que vem neles?
Sim, imediatamente. Os cartões “genéricos” que vêm da China são famosos por falhar em poucos dias, levando seus saves e o sistema operacional junto. Compre um cartão de marca confiável (SanDisk, Samsung) e instale o sistema nele assim que o aparelho chegar.

Eles rodam jogos de Android?
A maioria desses modelos baratos roda Linux, não Android. Portanto, não rodam jogos da Play Store (como Free Fire ou Genshin Impact). Eles são focados exclusivamente em emulação de consoles antigos. Existem modelos com Android, mas são mais caros.

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