Hidden Gems do Game Pass: 3 indies que você está ignorando.

Você conhece a sensação. É sexta-feira à noite, o trabalho acabou, a casa está quieta e você finalmente tem duas horas livres. Você liga o Xbox ou o PC, abre o aplicativo do Game Pass e… trava.

São centenas de capas coloridas gritando pela sua atenção. Você rola para baixo, para cima, assiste a um trailer, lê uma sinopse, checa a nota no Metacritic e, 40 minutos depois, desliga o console frustrado e vai assistir a vídeos curtos no celular.

Isso tem nome: “Paralisia de Escolha”. Vivemos na era da abundância de conteúdo, mas da escassez de tempo. O medo de investir nossas preciosas horas livres em um jogo “mais ou menos” nos impede de arriscar. Acabamos voltando sempre para o conforto do FIFA, do Fortnite ou daquele jogo que já zeramos três vezes.

Para quebrar esse ciclo, fiz o trabalho sujo por você. Ignorei os medalhões óbvios como Halo, Forza ou Starfield. Ignorei também os indies “famosinhos” que todo mundo já conhece, como Hollow Knight, Celeste ou Dead Cells (que, convenhamos, você já deveria ter jogado).

Mergulhei fundo no catálogo para trazer 3 experiências (Hidden Gems) que muitas vezes passam despercebidas pelo algoritmo, mas que entregam qualidade técnica, narrativa e artística superior a muito jogo de R$ 350,00.

Prepare o SSD, porque você vai querer baixar isso hoje.

1. Planet of Lana: Uma Pintura em Movimento

Se você cresceu assistindo às animações do Studio Ghibli (A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro), este jogo vai atingir você em cheio. Planet of Lana é frequentemente comparado a clássicos como Limbo e Inside por ser um “cinematic platformer” 2D, mas ele subverte a expectativa sombria desses títulos.

Em vez de tons de cinza e depressão, Planet of Lana é vibrante. É um mundo pintado à mão com aquarelas digitais, onde o céu é de um azul profundo e a grama dança com o vento. Mas não se deixe enganar pela beleza: há uma tensão constante no ar.

A Trama e a Mecânica
A história começa de forma idílica em uma vila de pescadores em um planeta alienígena, até que uma invasão de máquinas frias e brutais rompe a paz.

Você controla Lana, uma jovem que vê sua irmã e seus amigos serem abduzidos. Sozinha e sem armas, ela precisa atravessar o mundo para salvá-los.

O “pulo do gato” acontece quando você encontra Mui, uma pequena criatura negra que parece um gato misturado com um macaco. A jogabilidade gira em torno da cooperação:

  • Lana é ágil, pode nadar e operar máquinas.
  • Mui pode hipnotizar outras criaturas, alcançar lugares altos e roer cabos, mas tem medo de água.

Os puzzles não são frustrantes; são orgânicos. Você não para o jogo para resolver um enigma matemático; você usa o ambiente para sobreviver. É uma jornada de furtividade, onde você se sente pequeno e vulnerável contra máquinas gigantescas.

Por que jogar?
Pela trilha sonora. Composta por Takeshi Furukawa (o mesmo de The Last Guardian), a música é uma personagem à parte. Ela dita o ritmo da emoção, crescendo nos momentos de perigo e acalmando nos momentos de contemplação. É uma experiência curta, de cerca de 4 a 5 horas, perfeita para zerar em um fim de semana e ficar pensando nela por dias.

2. Cassette Beasts: A Evolução que Pokémon Esqueceu

Vamos falar a verdade, mesmo que doa: os últimos jogos de Pokémon deixaram a desejar. Bugs técnicos, gráficos datados e uma fórmula que parou no tempo.

Muitos fãs cresceram, mas a franquia não acompanhou. Se você é um desses “órfãos” que busca a magia de capturar monstros com um sistema de combate profundo, Cassette Beasts não é apenas uma alternativa; é uma evolução.

A Premissa Genial
Você acorda em uma ilha misteriosa chamada New Wirral. Aqui, monstros vagam livremente. Mas, em vez de capturá-los em bolas e mandá-los lutar por você, a mecânica é muito mais “Black Mirror”.

Você usa um Walkman (sim, um toca-fitas) para gravar a essência do monstro em uma fita cassete. Na hora da batalha, você não invoca o bicho; você se transforma nele.

Profundidade Estratégica
O sistema de combate é onde o jogo brilha e humilha a concorrência.

  1. Química Elemental: Esqueça o básico “Água vence Fogo”. Aqui, os elementos interagem com física. Se você usar um ataque de Fogo em um monstro de Plástico, ele derrete e perde defesa, mas ganha um tipo Veneno (fumaça tóxica). Se usar Eletricidade em um monstro de Vento, você cria uma corrente condutora.
  2. Fusão: Lembra da fusão de Dragon Ball Z? Em Cassette Beasts, quando sua barra de especial enche, você pode se fundir com o monstro do seu parceiro (NPC ou outro jogador). O jogo gera proceduralmente uma fusão visual e de status entre quaisquer dois monstros do jogo. São milhares de combinações possíveis.

A história também surpreende por ser madura, tocando em temas de existencialismo, morte e o que significa voltar para casa. Se você gosta desse estilo de jogo que respeita sua inteligência e é perfeito para sessões curtas, confira também nossa lista de 10 jogos curtos e viciantes para jogar no portátil, pois Cassette Beasts roda maravilhosamente bem via Cloud no celular.

3. Signalis: O Terror Cósmico Retrô

Apague as luzes. Coloque os fones de ouvido. Tranque a porta. Signalis não é para os fracos de coração, nem para quem busca ação desenfreada. Ele é uma carta de amor perturbadora aos clássicos do Survival Horror do PS1, como Resident Evil e Silent Hill.

A Estética do Pesadelo
A primeira coisa que chama a atenção é o visual. O jogo mistura pixel art com modelos 3D low-poly, criando uma estética que lembra jogos de 1998, mas com iluminação e efeitos modernos. A direção de arte é fortemente inspirada em animes sci-fi dos anos 90 (Ghost in the Shell, Evangelion) e nas obras de H.P. Lovecraft.

Você controla Elster, uma androide (Replika) que acorda em uma nave naufragada em um planeta gelado. Sua missão é encontrar sua parceira humana. Mas, ao descer para uma instalação de mineração subterrânea, a realidade começa a se desfazer.

Jogabilidade Tensa
Signalis resgata o “terror de gerenciamento” que se perdeu nos jogos modernos:

  • Inventário Limitado: Você só pode carregar 6 itens. Isso inclui armas, munição, chaves e itens de cura. Você passará metade do jogo tomando decisões difíceis: “Levo a munição da escopeta ou o item de cura? Se eu levar a munição, não tenho espaço para a chave que preciso pegar”.
  • Combate Opressivo: A munição é escassa. Os inimigos são resistentes. E, o pior de tudo: eles não morrem definitivamente. A menos que você queime os corpos com sinalizadores (que também são escassos), eles vão se levantar novamente quando você passar pela sala mais tarde.

A história é contada de forma fragmentada, através de documentos, alucinações e mensagens de rádio criptografadas. É um quebra-cabeça narrativo que exige atenção e interpretação. O final vai deixar você olhando para a tela dos créditos em silêncio, tentando processar o que acabou de acontecer.

Por que jogar indies no Game Pass?

Muitas vezes, ficamos presos ao marketing dos jogos AAA. Achamos que, se um jogo não tem gráficos ultra-realistas e 100 horas de duração, ele não vale nosso tempo. O Game Pass é a ferramenta perfeita para quebrar esse preconceito, pois o “custo de entrada” é zero. Você já pagou a assinatura.

Esses três jogos – Planet of Lana, Cassette Beasts e Signalis – mostram que a criatividade, a direção de arte e uma boa mecânica valem muito mais do que orçamentos milionários gastos em microtransações.

Eles são experiências focadas. Eles sabem o que querem ser e entregam isso com maestria, sem “encher linguiça” com missões repetitivas só para aumentar o tempo de jogo.

Conclusão

Da próxima vez que a paralisia de escolha bater, não perca 40 minutos rolando o menu. Digite um desses nomes na busca e aperte o play. Eu garanto que a experiência será mais memorável do que a décima partida de Battle Royale da noite.

E você? Tem alguma “Hidden Gem” no Game Pass que ninguém fala, mas que você defende com unhas e dentes? Deixe nos comentários. A comunidade precisa saber onde estão os tesouros escondidos.

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