Pokémon: curiosidades perdidas sobre o sistema de amizade nas Gen 2 e Gen 3

Quem joga Pokémon desde a infância provavelmente lembra da sensação: você anda com o mesmo parceiro o jogo inteiro, cuida, não deixa desmaiar e, de repente, ele evolui “do nada”.

Nas gerações 2 e 3, essa mágica tem nome: sistema de amizade (ou felicidade).

Hoje, com wikis e guias detalhados, é fácil ver números e tabelas.

Mas, na época de Pokémon Gold, Silver, Crystal, Ruby, Sapphire e Emerald, muita coisa era mistério, mito de revista ou conversa de recreio.

Muita gente sentia que amizade existia, mas não fazia ideia de como o jogo calculava isso.

Neste texto, vamos revisitar essas duas gerações e destacar curiosidades perdidas sobre o sistema de amizade: pequenos detalhes, regras escondidas e comportamentos estranhos que fazem você olhar com outros olhos para o vínculo entre treinador e Pokémon.


De “Pokémon é só nível” a “Pokémon sente algo por você”

Na primeira geração (Red, Blue, Yellow), o jogo praticamente não falava de amizade como mecânica.

Evolução era, em geral, questão de nível, pedra, troca ou evento. Quando a Gen 2 chegou, ela trouxe uma ideia diferente: o relacionamento com o Pokémon também importa.

Gold, Silver e Crystal introduziram:

  • evolução por amizade (como Togepi, Espeon, Umbreon);
  • ataques que dependiam de quão forte é esse vínculo;
  • reações sutis do Pokémon ao ser checado fora da Pokébola, refletindo seu nível de felicidade.

Na Gen 3, com Ruby, Sapphire, Emerald e os remakes FireRed/LeafGreen, o sistema foi refinado, mantido e usado em mais espécies.

Mas ainda era tudo muito “por trás das cortinas”. Você sentia que algo acontecia… sem ver os números.


A amizade tem um número, mas o jogo nunca te mostra

Uma curiosidade importante é que, nas duas gerações, amizade sempre foi um valor numérico interno, indo de um mínimo até um máximo (por exemplo, de 0 a 255).

O jogador nunca vê esse número diretamente; no máximo, recebe frases vagas quando fala com certos NPCs ou checa o Pokémon.

Em Gold, Silver e Crystal:

  • alguns NPCs em cidades podiam olhar o seu Pokémon e comentar se ele gostava muito de você, se era neutro, ou se não parecia se importar;
  • o texto mudava conforme faixas desse valor invisível de amizade.

Na prática, isso significa que:

  • duas pessoas com exatamente o mesmo Pokémon, no mesmo nível, podiam ter níveis de amizade bem diferentes;
  • o jogo estava registrando tudo: quantos passos você dava, se deixava o Pokémon desmaiar, se enchia ele de vitaminas, se curava com itens.

Era um tipo de “relacionamento invisível”, muito à frente do que a maioria dos jogadores percebia na época.


Curiosidade: tirar o Pokémon da equipe pode ser uma forma de “congelar” a amizade

Uma característica pouco comentada é que, nas Gens 2 e 3, a maioria dos eventos que mexem na amizade só acontecem enquanto o Pokémon está na sua equipe.

Isso cria uma situação curiosa:

  • se você tem medo de diminuir a amizade (por exemplo, em uma fase do jogo com muitas lutas difíceis), pode guardar o Pokémon no PC;
  • ao fazer isso, você não aumenta a amizade… mas também não corre o risco de baixá‑la com desmaios ou itens que ela não gosta.

Não é uma mecânica “oficialmente recomendada” por ninguém dentro do jogo, mas jogadores mais dedicados começaram a usá‑la como estratégia: tirar o Pokémon do time em momentos críticos para proteger o vínculo que já construíram até ali.


Coisas que aumentam amizade de formas nem sempre intuitivas

Nas Gens 2 e 3, amizade sobe em várias situações.

Algumas são óbvias, outras nem tanto. Entre as curiosidades:

  • andar com o Pokémon aumenta a amizade aos poucos, contando passos dados com ele na equipe;
  • usar itens de cura como Potions, Super Potions e afins pode aumentar amizade — especialmente quando o Pokémon ainda não está no nível máximo de felicidade;
  • vitaminas (HP Up, Protein, etc.) são ótimas para subir amizade, mas têm efeito limitado: depois de certo ponto, param de influenciar tanto;
  • ganhar níveis quando a amizade já está alta tende a dar pequenos empurrões finais.

O lado curioso é que, muitas vezes, os jogadores faziam isso por conveniência — curavam porque precisavam, davam vitaminas para fortalecer — sem perceber que estavam disparando gatilhos de amizade “escondidos”.


Coisas que diminuem amizade e pegavam muita gente de surpresa

Se aumentar amizade tem lógica, perder amizade às vezes parecia golpe baixo.

Nas Gens 2 e 3, alguns comportamentos comuns tinham impacto bem negativo:

  • deixar o Pokémon desmaiar em batalha: cada vez que isso acontecia, você perdia amizade;
  • usar certos itens “amargos” (como alguns tipos de herbal medicine) podia curar muito HP, mas ao custo de deixar o Pokémon menos feliz;
  • devolvê‑lo em troca, em alguns casos, fazia o valor de amizade ser recalculado ou resetado, dependendo da mecânica específica da geração.

O contraste é interessante: o jogo te oferece uma cura super eficiente por um preço baixo em dinheiro… mas “cobra” no relacionamento.

Quem só pensava em eficiência de combate muitas vezes tava sabotando a chance de evoluir por amizade sem nem saber.


Um detalhe pouco falado: a origem do Pokémon influencia a amizade

Outra curiosidade das Gens 2 e 3 é como o jogo trata Pokémon capturados, chocados de ovo ou recebidos em troca.

De forma simplificada:

  • um Pokémon que nasce de um ovo sob os seus cuidados tende a ter mais facilidade para subir amizade;
  • Pokémon capturados “na natureza” começam em um patamar diferente e podem demorar mais para chegar ao máximo;
  • Pokémon recebidos via trade têm regras específicas e, em muitos casos, não evoluem por amizade da mesma forma que um Pokémon que sempre foi seu (dependendo da espécie e das regras da geração).

Isso criava uma diferença sutil, mas significativa. Alguns jogadores achavam que era “impressão”: o Togepi chocado parecia evoluir mais rápido que outros.

Mas, por trás, o jogo realmente estava tratando a origem do Pokémon de modo diferente.


Gen 2: a amizade como fundação de um novo tipo de evolução

Na segunda geração, amizade não era só um detalhe: ela era base para algumas das evoluções mais marcantes.

Pokémon como:

  • Togepi → Togetic;
  • Eevee → Espeon / Umbreon;
  • Chansey → Blissey;

dependiam de alcançar um nível alto de amizade para evoluir. A direção era clara: não basta treinar, é preciso cuidar.

Algumas curiosidades dessa geração:

  • certos momentos do dia, combinados com amizade alta, determinavam se o Eevee viraria Espeon (dia) ou Umbreon (noite);
  • o jogo fazia você sentir na prática o peso de andar com o Pokémon, curar, evitar desmaios — um tipo de “bonding” diferente daquele de simplesmente botar para lutar sem parar.

Para muitos jogadores, essa foi a primeira vez que a ideia de relacionamento com o Pokémon se tornou concreta: você percebia que tratá‑lo bem trazia uma recompensa em forma de evolução especial.


Gen 3: amizade mais discreta, mas ainda muito presente

Na terceira geração, com Ruby, Sapphire, Emerald e os remakes de Kanto, o sistema de amizade foi mantido e refinado, mas ficou um pouco mais discreto aos olhos do jogador.

Curiosidades da Gen 3:

  • várias espécies novas passaram a usar amizade para evoluir;
  • o jogo já estava mais “maduro” em termos de mecânicas, então a amizade convivia com EVs, Natures e outras camadas;
  • algumas cidades e NPCs serviam como pista para revisar o quanto seu Pokémon gostava de você, usando frases específicas.

A sensação é que a Gen 3 tratou amizade como algo que já fazia parte da base da série.

Em vez de vender isso como novidade, integrou de forma mais natural, tanto nas espécies quanto nas interações.


Pequenos detalhes de flavor: reações, falas e comportamentos

Além dos números e evoluções, o sistema de amizade se manifestava em detalhes sutis, que muita gente não registrava conscientemente:

  • ao checar o Pokémon fora da Pokébola, o texto sobre ele mudava conforme o nível de amizade;
  • em alguns casos, a forma como o Pokémon reagia a certos eventos ou ataques parecia “combinar” com o quanto ele confiava em você;
  • a própria ideia de ver o Pokémon “contentinho” na tela, em um jogo 8 ou 16 bits, ajudava a criar a sensação de que ele era mais que um conjunto de stats.

Em um tempo em que a maioria dos RPGs ainda tratava seus aliados como números, Pokémon tentava, mesmo dentro das limitações, passar a sensação de vínculo.


Amizade como mecânica invisível que mudou a forma de jogar Pokémon

Olhar para essas curiosidades perdidas sobre o sistema de amizade nas Gen 2 e Gen 3 é perceber como algo que o jogo quase não explicava teve um impacto enorme na forma de jogar.

  • Ele incentivou quem cuidava bem do time, evitava desmaios e usava itens com atenção;
  • deu recompensas únicas (evoluções, ataques) para quem prestava atenção nesse vínculo;
  • criou uma camada emocional: você não estava só treinando um monstro, estava construindo confiança.

Mesmo sem mostrar números, Pokémon conseguiu fazer com que muita gente desenvolvesse o hábito de andar com o mesmo parceiro por horas, curar com carinho e ficar genuinamente feliz ao ver uma evolução por amizade acontecer.

Hoje, com tudo documentado, pode parecer uma mecânica simples.

Mas, nas gerações 2 e 3, amizade era quase uma lenda urbana que, aos poucos, foi sendo desvendada — e que ajudou a definir o que significa ser treinador dentro e fora da tela.

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