Como a nova Steam Machine lida com upscaling e FSR em títulos antigos
A nova “Steam Machine” (ou qualquer PC compacto moderno pensado para a sala de estar) vive em um cenário curioso: ao mesmo tempo em que precisa rodar jogos novos com visual pesado, também é uma porta de entrada para um catálogo gigante de títulos antigos.
E aí surge a pergunta:
como fazer esses jogos velhos, muitas vezes pensados para resoluções baixas e APIs antigas, ficarem bonitos e jogáveis em TVs 4K modernas, sem exigir hardware absurdo e sem depender de patch oficial?
A resposta passa por duas palavras-chave:
- upscaling (escalar a imagem para uma resolução maior);
- FSR (FidelityFX Super Resolution, tecnologia de upscaling da AMD).
Neste texto, vamos ver como a nova Steam Machine lida com upscaling e FSR em títulos antigos, o que funciona bem, onde aparecem limitações e que tipo de resultados você pode esperar ao revisitar seu backlog.
O problema básico: jogos antigos em telas modernas
Jogos antigos no PC têm alguns padrões comuns:
- foram pensados para resoluções menores (720p, 900p, às vezes menos);
- usam APIs como DirectX 9, 10, 11 ou até mais velhas;
- não conhecem FSR nativamente porque a tecnologia nem existia na época.
Quando você coloca esses jogos em uma TV 4K usando uma Steam Machine:
- ou você roda em resolução nativa, exigindo mais do hardware do que o jogo imaginava;
- ou você deixa a GPU ou a TV cuidarem do upscaling, às vezes com resultados “meh” (imagem lavada ou embaçada).
É aí que entram as soluções de upscaling mais inteligentes, e o FSR é uma delas.
O que é FSR (em duas linhas)?
FidelityFX Super Resolution (FSR) é a tecnologia da AMD que:
- renderiza o jogo em resolução menor;
- reconstrói a imagem em resolução maior usando algoritmos de upscaling + sharpening.
Na prática, a ideia é:
“Fazer o jogo parecer estar em 4K, mesmo que esteja rodando internamente em algo como 1440p ou até menos.”
Diferente de soluções proprietárias como DLSS (que dependem de hardware específico), o FSR é:
- aberto;
- funciona em GPUs diversas;
- pode ser implementado tanto no jogo quanto no driver/sistema em alguns casos.
Isso é crucial para uma Steam Machine moderna que precisa lidar com centenas de títulos que nunca foram atualizados para suportar técnicas modernas.
Cenário 1: jogos antigos com FSR nativo
Sim, existem jogos “antigos” que foram atualizados ao longo do tempo e ganharam suporte a técnicas modernas, incluindo FSR.
Quando o jogo oferece FSR nativamente nas opções gráficas:
- a Steam Machine só precisa expor a opção;
- você escolhe a resolução interna e o modo de FSR (Quality, Balanced, Performance, etc.);
- o jogo cuida de tudo: renderiza, aplica o upscaling e faz o sharpening.
Nesse cenário:
- a integração é ótima;
- o HUD e elementos 2D costumam se manter nítidos;
- o ganho de performance é normalmente bem consistente, mesmo em hardware mais modesto.
Para esses títulos, a experiência é “quase de nova geração”, mesmo se o jogo for de uma época anterior.
Cenário 2: jogos sem FSR nativo, mas com suporte a APIs modernas
A parte interessante começa nos jogos que não têm FSR oficial, mas:
- rodam em APIs mais modernas (DX11, Vulkan, etc.);
- permitem ajustar resolução e filtros com relativa liberdade.
Aqui entram três ferramentas:
- Upscaling da própria GPU (driver-level).
- Upscaling da Steam Machine / OS (quando o sistema oferece um modo global, tipo FSR em nível de desktop ou compositor).
- Ferramentas de comunidade (wrappers, injetores, etc., que você pode ou não querer usar, dependendo da sua vibe).
Mesmo sem FSR embutido no jogo, a Steam Machine pode:
- rodar o jogo internamente em 720p, 900p ou 1080p;
- deixar a camada de sistema aplicar o FSR para “chegar” em 4K;
- combinar isso com sharpening para recuperar nitidez.
O resultado não é tão perfeito quanto uma implementação nativa, mas:
- melhora desempenho;
- deixa a imagem mais aceitável em telas grandes;
- é muito melhor do que o upscaling “bruto” da TV ou do scaler padrão.
Cenário 3: títulos realmente velhos (DX9, DX8, engines antigas)
Aqui está o maior desafio. Jogos que:
- usam DirectX 9 ou anteriores;
- foram feitos para monitores 4:3;
- não têm nem opção clara de resolução widescreen.
Nesses casos, a nova Steam Machine ainda pode ajudar com upscaling, mas:
- a margem é menor;
- você depende mais de ajustes manuais e gambiarra aceitável.
Possibilidades:
- rodar o jogo em janela ou janela sem borda em resolução menor, deixando o sistema escalar;
- usar modo de compatibilidade do sistema ou wrappers para forçar resoluções mais modernas;
- combinar isso com FSR em nível de desktop, quando o sistema oferece essa camada global.
O que o FSR faz aqui é:
- pegar a imagem desses jogos antigos;
- dar um “trato” de nitidez e escala;
- amenizar o aspecto borrado típico de upscaling simples.
Não é milagre, mas é o suficiente para fazer um jogo de 15–20 anos atrás ficar mais agradável de ver em uma TV atual.
Benefícios práticos do FSR e do upscaling na nova Steam Machine
Para quem quer jogar backlog, o combo Steam Machine + FSR + upscaling inteligente traz alguns ganhos claros:
1. Melhor uso do hardware em jogos antigos
- Jogos antigos às vezes são mal otimizados ou presos a engines que não escalam bem.
- Em vez de forçar 4K nativo, você roda em resolução mais baixa e deixa o FSR reconstruir.
- Isso reduz engasgos em cenas pesadas, especialmente em títulos que abusam de efeitos para a época.
2. Imagem menos borrada em TVs grandes
- Sem FSR, o upscaling “padrão” pode deixar o jogo com cara de vídeo em baixa resolução esticado.
- Com FSR, o sharpening ajuda a recuperar bordas e detalhes.
- Isso faz muita diferença pra quem joga a 2–3 metros de distância em uma TV grande.
3. Maior flexibilidade de ajuste
- Você pode escolher:
- priorizar qualidade de imagem (Quality/Ultra Quality);
- ou priorizar performance (Performance/Ultra Performance).
- Dependendo do jogo, dá para achar um ponto perfeito onde ele parece muito melhor do que o original, sem sacrificar fluidez.
Limitações e pontos fracos: nem tudo é mágica
Claro que nem toda situação fica perfeita. Existem limitações.
HUD e elementos 2D
- Em implementações não nativas ou globais, o HUD às vezes sofre:
- pode ficar levemente borrado;
- ou não escalar na mesma taxa da cena 3D.
Arte antiga + upscaling agressivo
- Em jogos com texturas muito simples ou baixa qualidade original, o FSR não faz milagre:
- ele pode deixar o “low-res” mais nítido, mas não inventa detalhe que não existe;
- se você exagerar no sharpening, o jogo pode ficar com cara de filtro pesado.
Engines muito velhas ou teimosas
- Alguns jogos antigos simplesmente não se dão bem com qualquer tipo de manipulação moderna:
- problemas de interface;
- menus quebrados com resoluções não suportadas;
- bugs estranhos em fullscreen.
Nesses casos, às vezes é melhor:
- aceitar um upscaling simples;
- ou buscar soluções específicas (mods, patches de comunidade, widescreen fixes).
Boas práticas ao configurar jogos antigos na Steam Machine
Se você quer tirar o máximo do combo Steam Machine + FSR + upscaling, algumas dicas gerais:
- Comece pela resolução interna
- Tente 1080p como base se sua TV for 4K.
- Se o jogo for muito pesado, baixe para 900p ou 720p e compense com FSR.
- Escolha o modo de FSR de acordo com o jogo
- Jogos mais “parados” (RPG, estratégia): dá pra usar Quality ou Balanced.
- Jogos mais frenéticos: talvez Balanced ou Performance com mais cuidado.
- Observe o HUD
- Se ficar muito ruim, teste outra combinação: resolução um pouco maior com menos sharpening, por exemplo.
- Ajuste o sharpening
- Evite deixar a imagem super “crocante” a ponto de parecer cheia de areia.
- O objetivo é recuperar detalhe, não criar ruído.
- Teste janela sem borda em jogos problemáticos
- Em títulos que odeiam resoluções modernas, rodar em janela e deixar o sistema escalar pode ser mais estável.
Por que isso é importante para quem curte backlog e retro no PC
A graça da nova Steam Machine não é só rodar lançamento. É poder:
- revisitar jogos de 10–15 anos atrás;
- explorar o catálogo antigo da Steam que você acumulou;
- fazer tudo isso na sala, em uma TV grande, sem a imagem parecer um vídeo de YouTube 480p esticado.
O uso de upscaling moderno e FSR em títulos antigos:
- estende a vida útil de muito jogo velho;
- torna mais confortável maratonar RPGs, shooters clássicos, jogos AA esquecidos;
- mostra como técnicas novas podem melhorar o passado, não só os lançamentos mais recentes.
Conclusão: FSR como ponte entre gerações na nova Steam Machine
A forma como a nova Steam Machine lida com upscaling e FSR em títulos antigos transforma o aparelho em algo mais do que “um PC na sala”:
- ele vira uma plataforma capaz de modernizar visualmente jogos que nasceram em outra era;
- reduz a barreira entre “jogar clássico em monitor pequeno” e “jogar clássico em 4K na TV”;
- permite que o seu backlog pareça menos datado do que realmente é, sem mods obrigatórios e sem exigir placa de vídeo monstruosa.
Não é solução mágica, não conserta tudo, e nem todo jogo combina perfeitamente com FSR.
Mas, em geral, a combinação de upscaling inteligente com a flexibilidade do PC torna a Steam Machine um ótimo ponto de encontro entre gerações, onde títulos antigos ganham uma segunda vida com cara de “quase remaster” – mesmo sem nunca terem recebido um patch oficial para isso.

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