Catherine Full Body: Conteúdos cortados e eventos alternativos escondidos nos arquivos do jogo
Catherine Full Body é aquele tipo de jogo que parece curto e direto quando você faz uma única rota.
Mas, por baixo da superfície, ele é um labirinto de escolhas, finais, variações de cena e pequenos detalhes que mudam com base em decisões quase imperceptíveis.
Além disso, como toda versão “definitiva”, Full Body nasceu em cima de um jogo anterior. Isso significa duas coisas:
- Há conteúdo novo adicionado pela Atlus.
- Há conteúdo antigo ou alternativo que ficou pelo caminho, enterrado nos arquivos ou praticamente invisível numa jogatina normal.
Neste texto, vamos falar exatamente disso: conteúdos cortados e eventos alternativos escondidos nos arquivos de Catherine Full Body.
A ideia não é fazer um inventário técnico linha por linha, mas mostrar como o jogo guarda cenas, diálogos e possibilidades que a maioria dos jogadores nunca chega a ver.
Por que Catherine Full Body é um terreno fértil para conteúdo escondido
Catherine não é só sobre subir blocos. Ele mistura:
- puzzle tenso;
- romance caótico;
- drama psicológico;
- e um sistema de escolhas que mexe com moralidade, relacionamentos e caminhos de vida.
Full Body amplia isso com:
- uma nova personagem central (Rin);
- finais adicionais;
- cenas intermediárias e variações de diálogo.
Sempre que um jogo:
- reaproveita base de roteiro;
- adiciona novos caminhos;
- tenta “encaixar” conteúdo extra em uma estrutura antiga,
é natural sobrar coisa para trás: cenas que não encaixaram bem, versões alternativas de eventos, dublagens que foram trocadas no último minuto e scripts que nunca são chamados em condições normais.
Conteúdos cortados x conteúdos quase invisíveis
É importante separar duas categorias:
- Conteúdos realmente cortados
- Cenas, falas ou eventos que estão nos arquivos, mas não são acessíveis por meios normais.
- Às vezes, exigem mods, hacks, save edit ou datamining para aparecer.
- Conteúdos alternativos quase invisíveis
- Variações de diálogo ou evento que existem no jogo, mas pedem combinações muito específicas de escolhas.
- A maioria dos jogadores não vê porque segue “o fluxo natural” de uma rota.
Catherine Full Body tem os dois tipos.
E é justamente essa mistura que faz a sensação de “tem mais coisa aqui” ser tão forte.
Eventos alternativos que dependem de escolhas muito específicas
Uma das marcas da série é o sistema de perguntas no bar, conversas pelo celular e decisões durante as noites de pesadelo. Muitas dessas escolhas:
- mudam a posição da famosa barra (ordem, caos, neutro);
- destravam ou bloqueiam certos finais;
- alteram quem te manda mensagem, quem te encontra, quem desabafa com você.
Full Body adiciona uma camada extra com Rin:
- novas cenas podem aparecer ou sumir dependendo de como você reage aos momentos mais delicados da personagem;
- há pontos exatos em que uma escolha aparentemente pequena muda a rota a longo prazo.
O efeito colateral é:
- muita cena gravada e localizada que só aparece para uma porcentagem minúscula de jogadores;
- variações de evento que você só descobre se rejoga com guia ou com um olhar extremamente atento às ramificações.
Tecnicamente não são “cenas cortadas”, mas, na prática, funcionam quase como conteúdo oculto: existem, mas praticamente ninguém vê por conta própria.
Diálogos e reações que sobram nos arquivos
Quando a comunidade vasculha os arquivos de Catherine Full Body, encontra:
- linhas de diálogo não usadas em nenhum caminho conhecido;
- reações alternativas de personagens a situações específicas;
- pequenas conversas no bar que parecem planejadas para condições de afinidade que o jogo não cria mais.
Esses restos podem ter várias origens:
- foram pensados para versões anteriores de cenas que mudaram;
- pertenciam a uma ordem diferente de eventos;
- foram gravados para “segurança” (caso o design precisasse de mais variações), mas acabaram sobrando.
Do ponto de vista do jogador, isso ajuda a reforçar uma sensação: o mundo de Catherine é mais “cheio” do que aquilo que você encontra numa run simples.
Rota de Rin e a sombra do que poderia ter sido
Rin é o grande diferencial de Full Body.
Para encaixar essa nova personagem em um jogo que já tinha uma estrutura de tema bem fechadinha, a Atlus precisou:
- reescrever, inserir e adaptar uma quantidade enorme de cenas;
- criar novos finais;
- ajustar o “peso” das outras duas Catherine na história.
Não é surpresa que, nesse processo, muita coisa tenha ficado no meio do caminho:
- versões alternativas de cenas entre Rin e Vincent;
- transições diferentes entre momentos chave da rota;
- potenciais conflitos e diálogos mais pesados que foram suavizados na versão final.
Parte disso se vê no ritmo um pouco irregular de como Rin entra e sai de foco ao longo da história. O jogo dá sinais de que:
- existiram versões mais arriscadas de certos eventos;
- algumas linhas foram encurtadas para manter o jogo dentro de um tom menos polêmico ou menos longo.
Nos arquivos, sobram pistas dessas tentativas: falas que sugerem caminhos ligeiramente diferentes, reações que não condizem 100% com a edição final, trocas de intenção que apareceram em trailers, mas não no corte definitivo.
Cenas substituídas, finais ajustados e o efeito “Full Body”
Como Full Body é, em parte, uma revisão do Catherine original, ele traz também:
- cenas substituídas por versões novas;
- trechos que existiam no jogo base e foram interpretados de outra maneira;
- finais que ganharam nuances ou foram movidos para outra posição na lógica do jogo.
Isso gera algumas situações interessantes:
- restos de lógica antiga ainda presentes nos scripts, mas não acionados;
- falas gravadas para um contexto que mudou de sentido;
- variações de final que parecem midpoints entre a visão original e a revisada.
Para quem é obcecado pelo jogo, essas divergências viram material de teoria:
- “Aqui parece que o plano era esse final ir mais longe.”
- “Essa fala fazia mais sentido na versão anterior da cena.”
- “Esse diálogo sugere uma transição que não existe mais.”
Tudo isso fica escondido em arquivos e em comparações cuidadosas entre a versão original e a Full Body.
O papel do datamining e da comunidade
Sem a comunidade de datamining, boa parte dessa história ficaria invisível. São jogadores que:
- extraem arquivos de áudio, texto e script;
- comparam o que é efetivamente usado com o que fica sem chamada;
- montam listas de “unused content” e organizam o que cada coisa parecia ser.
Graças a esse trabalho, sabemos que Catherine Full Body:
- tem mais variações de cena do que o jogo deixa claro;
- guarda restos de ideias de rota e diálogo que foram podadas;
- carrega, ainda, o fantasma de um jogo que poderia ter sido um pouco diferente – mais longo, mais pesado ou mais experimental.
É quase como ver o “rascunho” por trás da obra final.
Por que esses conteúdos cortados importam
Você pode se perguntar: se eu nunca vou ver tudo isso jogando normalmente, por que deveria me importar?
Alguns motivos:
- Eles mostram como é difícil equilibrar narrativa ramificada.
- Revelam o cuidado (ou o conflito) da equipe ao lidar com temas adultos, polêmicos e sensíveis.
- Ajudam a entender por que a experiência final tem o tom que tem: o que foi considerado “demais”, o que foi considerado “de menos”.
Além disso, para quem gosta de Catherine, esses conteúdos cortados e eventos alternativos escondidos funcionam como:
- uma extensão da obra;
- uma janela para o processo criativo;
- um lembrete de que o jogo é maior do que aquilo que a sua primeira jogada mostra.
Conclusão: o pesadelo continua mesmo depois dos créditos
Catherine Full Body é oficialmente uma versão expandida de Catherine.
Extraoficialmente, também é um arquivo vivo de tentativas, cortes, remendos e variações escondidas.
Entre conteúdos realmente cortados e eventos alternativos que quase ninguém vê, o jogo revela:
- o peso de mexer em uma obra já polêmica e complexa;
- o desafio de encaixar uma nova personagem em uma estrutura fechada;
- a quantidade de trabalho invisível que existe por trás de cada rota, final e escolha.
Da próxima vez que você subir aquelas torres impossíveis e ver um final novo na tela, vale lembrar: por trás da sua versão da história, há várias outras versões possíveis – algumas acessíveis, outras perdidas nos arquivos – todas fazendo parte desse grande quebra‑cabeça chamado Catherine Full Body.
