15 jogos de PS1 que todo mundo esqueceu
Quando a gente fala de PlayStation 1, sempre aparecem os mesmos nomes: Final Fantasy VII, Resident Evil, Metal Gear Solid, Crash, Spyro.
Mas o PS1 é um buraco sem fundo de jogos estranhos, experimentais e ótimos que foram engolidos pelo tempo, pela pirataria mal catalogada e pela falta de internet na época.
Esse texto não é uma lista definitiva, é um passeio por 15 jogos de PS1 que quase ninguém lembra, mas que dizem muito sobre o tipo de risco criativo que se tomava naquela geração.
Não é ranking. É convite pra memória.
1. Brave Fencer Musashi
Antes de Kingdom Hearts existir, a Square já tinha tentado um action RPG mais solto, com humor e plataforma: Brave Fencer Musashi.
- Combate em tempo real,
- um protagonista carismático e debochado,
- sistema de “roubar” habilidades dos inimigos,
- e um mundo que tinha cara de brinquedo em 3D torto de PS1.
Ele nunca virou febre como os Final Fantasy, mas quem jogou lembra de:
- ficar preso em puzzle bobo,
- se apegar ao vilarejo,
- e sentir que ali tinha uma Square menos “épica” e mais leve.
2. Threads of Fate (Dewprism)
Outro RPG da Square engolido pelo catálogo.
Threads of Fate deixava você escolher entre dois protagonistas:
- Rue, mais sério,
- Mint, mais caótica.
Tinha:
- sistema simples de combate,
- história curta comparada aos “irmãos maiores”,
- um tom quase de fábula.
Não virou clássico, mas é o tipo de jogo que hoje provavelmente seria cult em nicho, com vídeo “Por que você devia jogar Threads of Fate em 2025”.
3. Tomba! (Tombi! em algumas regiões)
Um dos plataformers mais estranhos do PS1.
- Você é um garoto selvagem, de cabelo rosa,
- correndo atrás de porcos malditos que roubaram suas coisas,
- num mundo 2D com profundidade, cheio de quests bizarras.
Era uma mistura de:
- plataforma,
- exploração,
- pequenos objetivos espalhados.
Tomba! tinha uma energia que lembra um pouco a de jogos indie modernos:
cara de jogo “pequeno”, mas com muita personalidade.
4. Heart of Darkness
Se você cresceu jogando muito PS1 pirata, é bem possível que Heart of Darkness tenha passado batido.
Era um jogo de plataforma cinematic, na linha de Another World:
- um garoto em busca do cachorro sequestrado,
- mundo sombrio,
- animações fluidas,
- mortes violentas e instantâneas.
Ele parecia mais filme que jogo em alguns momentos, e o clima de “pesadelo de criança” era fortíssimo.
Não virou ícone como os grandes blockbusters, mas quem encontrou o disco por acaso dificilmente esquece.
5. Einhänder
Shoot’em up lateral da Square.
Só isso já é estranho o bastante.
Enquanto o estúdio brilhava com RPGs gigantes, Einhänder era:
- navinha em perspectiva lateral,
- estética industrial/tecnológica,
- trilha agressiva,
- sistema de armas acopladas no mecha.
É o tipo de jogo que hoje seria cult em qualquer tópico de “shmup favorito de nicho”, mas no meio da tempestade de RPGs da época, sumiu do radar de muita gente.
6. Vagrant Story
Tecnicamente, não é um jogo “desconhecido”, mas é um dos mais esquecidos pelo mainstream.
Vagrant Story é:
- um RPG de ação com câmera fixa,
- combate em que você pausa pra escolher partes do corpo do inimigo,
- sistema absurdo de forja e atributos de arma,
- história política, densa, cheia de simbologia.
Ele parece mais experimento adulto feito pela Square do que “produto”.
Hoje, pouca gente fala dele na mesma frase que FFVII ou VIII, mas em termos de identidade, ele é um dos jogos mais únicos do PS1.
7. Alundra
“Zelda de PS1” para muita gente, mas com um tom bem mais pesado.
Alundra tinha:
- visão top-down,
- exploração de vilarejo,
- dungeons cheias de puzzle,
- e uma narrativa sobre sonhos, morte e trauma.
É um daqueles jogos que misturam:
- estética de aventura colorida,
- com temas bem mais adultos do que o visual entrega.
Não tem o peso cultural de um Ocarina of Time, mas quem jogou Alundra lembra que não era um “clone barato”, e sim uma variação mais sombria da mesma escola.
8. Kula World (Roll Away)
Um jogo sobre… uma bola.
É isso.
Você controla uma esfera em fases suspensas no vazio, girando o mundo, pegando chaves e escapando de armadilhas.
Sem história, sem personagem carismático, sem cena de CG famosa.
Só design puro de puzzle e física, com aquela cara de jogo que você acha num CD de demo e fica jogando por horas sem perceber.
Kula World é o tipo de jogo que desaparece na memória coletiva, mas que molda a forma como você pensa desafio em 3D.
9. Bushido Blade
Antes de Souls virar sinônimo de combate com peso, Bushido Blade já estava experimentando algo brutalmente honesto:
- luta de espada sem barra de vida tradicional,
- um golpe bem colocado podia acabar o duelo,
- locomoção livre,
- nada de combos fantasiosos.
Era menos um jogo de luta “de 10 hits” e mais uma simulação de duelo tenso, onde parar um segundo e recuar era tão importante quanto atacar.
Nos consoles seguintes, a série praticamente sumiu, e a ideia foi engolida por outros jogos.
Mas ali tinha uma semente de “luta com consequência” difícil de achar em outros lugares.
10. Legend of Legaia
RPG que misturava:
- turnos,
- comandos de direção,
- com algo quase de “beat em up por menu”.
Você digitava sequências de golpes (alto, baixo, esquerda, direita) e o personagem executava combos especiais.
Não tinha o apelo de produção de um Final Fantasy, mas era aquele tipo de jogo que:
- aparecia em locadora,
- você testava sem expectativa,
- e de repente se via envolvido com sistema e mundo.
Hoje, ele raramente entra em conversas de “melhores RPGs do PS1”, mas sua ideia de combate permanece curiosa.
11. Parasite Eve II
O primeiro Parasite Eve ainda aparece em listas e vídeos de nostalgia.
O segundo, muito menos.
Parasite Eve II foi pra um lado mais:
- survival horror,
- com mira e movimento mais próximos de Resident Evil,
- mantendo poderes especiais e clima biológico/estranho.
Ele caiu numa espécie de limbo:
- não é tão amado quanto o primeiro,
- não é tão lembrado quanto os Resident Evil numerados.
Mas como peça de transição, ele mostra bem a época em que jogos de terror ainda estavam experimentando formato.
12. Future Cop: LAPD
Um jogo de PS1 onde você controla um mecha policial patrulhando Los Angeles futurista.
Tinha dois pilares:
- campanha cooperativa,
- um modo competitivo chamado “Precinct Assault”, que basicamente era um protótipo de MOBA:
- base,
- tropas automáticas,
- você empurrando linha e tentando destruir o core do outro lado.
Quase ninguém fala de Future Cop hoje, mas a semente de “controle de linha + rts + ação direta” que tanto MOBA moderno usa estava ali, rodando em um PS1 cinza barulhento.
13. Nightmare Creatures
Um jogo de ação/terror com:
- Londres no século XIX,
- monstros grotescos,
- combate corpo a corpo desengonhado,
- atmosfera suja.
Não é um jogo “bom” no sentido tradicional, mas tinha uma energia que lembra a fase pré-Bloodborne:
a curiosidade de misturar terror, cidade antiga, armas brancas e monstros de pesadelo.
Na memória coletiva, ele foi completamente atropelado por franquias mais polidas.
Mas, como relíquia do que se tentava na época, é emblemático.
14. Klonoa: Door to Phantomile
Klonoa ainda tem seu nicho de fãs, mas, para o grande público, quase sumiu.
É um plataforma 2.5D com:
- visual fofinho,
- mecânica de pegar inimigos e usá-los como “pulo duplo”,
- e uma história com mais peso emocional do que a estética sugere.
Ele é o tipo de jogo que, se tivesse tido mais apoio e sequências fortes, hoje seria citado ao lado de grandes mascotes.
Em vez disso, virou um nome que muita gente reconhece de ouvir falar, mas não jogou.
15. Digimon World (o primeiro)
Antes de Digimon virar sinônimo de “RPG por turno” mais próximo de Pokémon, o primeiro Digimon World no PS1 foi outra coisa:
- um Digimon que faz cocô,
- que adoece,
- que morre se você cuidar mal,
- um ciclo de treino, batalha e rotina.
Era metade jogo de monstrinho, metade simulação estranha de responsabilidade.
Muita gente nem sabia direito o que estava fazendo.
E talvez seja por isso que muita gente também nunca esqueceu a sensação…
mesmo tendo esquecido o nome e o contexto completo.
Se você gosta de revisitar jogos que ficaram pelo caminho, também vale dar uma olhada no texto sobre como Hollow Knight usa Charms no começo do jogo, que mostra como um metroidvania moderno ainda carrega aquele espírito de experimentar sistemas e builds que a gente via em muitos desses jogos de PS1.
